NUVENS PASSAGEIRAS
entre os prédios altos da cidade grande
a sombra tampa o sol
a luz apaga a estrela
a esquina esconde a lua
a sombra tampa o sol
a luz apaga a estrela
a esquina esconde a lua
no céu poluído da cidade grande
azul é cinza
nuvem é fumaça
e ninguém sabe pra onde foi o horizonte
aquele amplo
onde elefantes brancos e macios
comem algodão doce voando no azul
aquele longe
onde caretas horrendas
arregalam olhos e evaporam ao vento
aquele definitivo
onde o mar encontra o céu
e só quem pode
onde o mar encontra o céu
e só quem pode
vê
eu continuo buscando
eu continuo buscando
encontro uma fina senhora de perfil
um gordo de bigode
um gato encolhido
já vi de relance uma caveira
uma bota de cano alto
um bebê engatinhando
passou um barco à vela bem pequeno
uma pistola
uma cabeça com turbante
todos fugidios
instantâneos
escorregadios como aquele peixe-espada
todos a espera dos meus olhos
pra criarem senão vida
nostalgia
das nuvens de outros tempos
eles estão ao meu alcance
no rendado trêmulo da cortina do quarto
na estampa da toalha da mesa
no granito salpicado do banheiro
não os compartilho com ninguém
estão ali só pra mim
tão rápidos que a palavra não alcança
o piscar desfaz
são minhas nuvens passageiras
a enfeitar o instante
a me levar dali adiante
a enfeitar o instante
a me levar dali adiante
Lindo. Adorei
ResponderExcluirLindo e delicado este seu olhar so seu! Bjs Mira
ExcluirParabéns, mais um texto sensível só seu!
ResponderExcluirMuito bom mesmo
ResponderExcluirSensibilidade a flor da pele
ResponderExcluirParabéns como sempre!!